Numa ofensiva diplomática e económica em Bruxelas, o Chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, apresentou o país como o futuro motor energético e logístico da SADC. Entre o optimismo do regresso da TotalEnergies e o namoro com a ExxonMobil, o Executivo tenta agora acoplar a “bandeira” da transição digital à exploração de recursos naturais.
O Presidente da República, Daniel Chapo, escolheu a capital belga para desenhar o que chama de “visão estratégica ambiciosa” para Moçambique. Perante o Governo Federal e o empresariado da Bélgica — país com forte tradição na gestão portuária e inovação digital — o estadista moçambicano procurou passar uma mensagem de estabilidade e abertura ao capital estrangeiro, num momento em que o país tenta sacudir o estigma do conflito no Norte.
O dossier dos hidrocarbonetos dominou, como esperado, as atenções. Chapo utilizou a mesa-redonda para confirmar a revitalização dos projectos na bacia do Rovuma, assegurando que a segurança em Cabo Delgado atingiu níveis que permitem o retorno das multinacionais.
Após a paralisação forçada pelo terrorismo, o Presidente confirmou que as actividades em Afungi foram reiniciadas no passado mês de Fevereiro.O Chefe de Estado foi mais longe e colocou uma data no horizonte: “Acreditamos que, possivelmente em Agosto ou Setembro, poderemos anunciar juntos a decisão final de investimento”, afirmou, numa clara tentativa de capitalizar a confiança dos investidores.
Entre o Gás e o “Hub” Digital
A narrativa oficial já não se foca apenas na exportação de matéria-prima. O Governo quer usar o gás doméstico como combustível para a industrialização, mencionando a produção de fertilizantes e a nova central de Temane como peças de um puzzle que visa abastecer o mercado regional.
A novidade nesta incursão europeia foi a tónica na transformação tecnológica. Acompanhado pelo Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, Chapo lançou o desafio para a criação de “corredores digitais”. A ideia é aproveitar a excedente energética de projectos como a Hidroeléctrica de Cahora Bassa e a futura Mphanda Nkuwa (1.500 MW) para atrair centros de dados que sirvam a região da SADC.
Ciente das valências da Bélgica, a delegação moçambicana vendeu os corredores de Maputo, Beira e Nacala como as portas de entrada naturais para o interior do continente. O Porto de Nacala, recentemente modernizado, foi apresentado como o trunfo de águas profundas para a logística regional.
Houve ainda espaço para o habitual périplo pelos sectores da agricultura e turismo, com o Presidente a recordar os 2.700 quilómetros de costa e a biodiversidade de parques como a Gorongosa e o Niassa. “Estamos abertos a trabalhar com o sector privado… sejam todos bem-vindos a Moçambique”, concluiu Daniel Chapo, numa tentativa de reforçar a imagem de um país com uma estratégia clara e um ambiente de negócios acolhedor.
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